TOMAR (Portugal): Claustro do Cemitério no Convento de Cristo.
O Claustro do Cemitério é quadrangular, com um piso com cinco tramos por ala. É caracterizado pelos 20 arcos em ogiva que apresenta. Tem a marca de Fernão Gonçalves que trabalhou igualmente no Mosteiro da Batalha. Os capitéis dos arcos são todos decorados com motivos vegetalistas muito semelhantes entre si, mas sem que haja uma repetição do motivo.
TOMAR (Portugal): Claustro do Cemitério no Convento de Cristo.
Mandado construir pelo Infante D. Henrique, entre 1420 e 1460, é caracterizado pelos 20 arcos em ogiva que apresenta. Tem a marca de Fernão Gonçalves que trabalhou igualmente no Mosteiro da Batalha. Os capitéis dos arcos são todos decorados com motivos vegetalistas muito semelhantes entre si, mas sem que haja uma repetição do motivo.
O nome do claustro vem do facto de aqui se dar sepultura aos freires da Ordem de Cristo. Todo o chão está coberto de lajes sepulcrais. Esta funcionalidade do claustro perdurou nos séculos seguintes. Um poço, no meio de um arco, captava a água de uma pequena cisterna.
TOMAR (Portugal): Detalhe do portal principal do Convento de Cristo.
A entrada da igreja faz-se por um portal constituído por três arquivoltas de arco pleno e inteiramente revestidas com motivos manuelinos, renascentistas e platerescos, encimado por um corpo que ostenta a representação da esfera armilar e sobre esta uma estátua da Virgem, ladeada de outras esculturas. Este belo conjunto, data de cerca de 1515 e é obra de João de Castilho.
No andar cimeiro da parede Oeste, a famosa janela manuelina é sobrepujada por um óculo profundo de estrias radiantes envolvido por moldura torsa, cuja gramática decorativa, igualmente alusiva aos Descobrimentos, simboliza velas enfunadas pelo vento.
TOMAR (Portugal): Convento de Cristo (Janela do Capítulo).
A janela do Capítulo do Convento, mais tarde imitada para o Palácio da Pena, foi encomendada por D. Manuel I e desenhada por Diogo de Arruda. É o mais conhecido exemplo de arquitectura manuelina, magnificamente decorada no exterior, que é a imagem mais representativa da exuberância da estética manuelina, ilustrativa do naturalismo exótico e do uso de pormenores marítimos, possui no intradorso colunelos a imitar troncos podados, encimados por arco polilobado com florões onde se encaixa aro torso; o enquadramento, em alto-relevo, inicia-se inferiormente com um tronco desenraizado carregado por figura masculina barbada, que se subdivide em 2 frisos de onde se elevam 2 colunas recamadas de folhagem e corolas, atadas por grossos cordões com nós e ladeadas inferiormente por 2 pequenos nichos vegetalistas desabitados e superiormente por duas esferas armilares atadas a segmentos curvos de folhagem; sobre o vão da janela sobrepõe-se grosso arco polilobado recamado de folhas onde se encaixam 2 aros torsos rematados inferiormente por florões, e cujos segmentos superiores se enroscam; remata a composição escudo real encimado por cruz da Ordem de Cristo sobre pano de muro esquadriado.
O lindo portal do período de transição românico-ogival, cuja restauração está hoje concluída, é formado por doze arquivoltas, que numa suave elegância nascem, aos grupos de duas, do ábaco simples. Quatro colunas de fustes cilíndricos lisos sustentam, de cada lado, as ogivas. Os capitéis representam aves brincando e beijando-se, num desenho ingénuo, como que estilizado. É o simbolismo do amor ! As bases são ornamentadas de fitas entrelaçadas. Rematando o portal, na parte superior, foi descoberto, também, um pequeno nicho com uma escultura de granito muito primitiva (séc. XII), representando a Virgem com o Menino no regaço, dum sentimento simples e calmo.
As naves têm cinco tramos, formando arcada de volta perfeita, assente em pilares com colunas adossadas, aos quais se adossam as colunas de fuste liso que descarregam o peso dos arcos formeiros, de perfil apontado, que dividem as abóbadas, em cruzaria de ogivas, com bocetes ornados por motivos fitomórficos; sobre as arcadas da nave central, rasga-se o clerestório em arco de volta perfeita; pavimento em lajeado de granito, possuindo 134 lajes sepulcrais. A parede fundeira é rasgada por duas capelas, que se situam na base das torres, a do lado da Epístola funcionando como baptistério, ambas de planta poligonal e com acesso por arco levemente apontado, com arquivolta toreada assente em colunas de fuste liso, sobre altas bases com toros e escócias, apresentando capitéis ornados por esferas; ambas estão protegidas por grades metálicas, com o interior de pavimento lajeado e coberturas em abobadas polinervadas, com vários bocetes ornados por elementos fitomórficos. Na capela-mor conserva-se o imponente retábulo escultórico maneirista, da autoria de João de Ruão.
O portal tem arco abatido, com cogulhos internos, que se entrelaçam, dando origem a uma nicho com mísula e baldaquino, onde se integra a imagem de Nossa Senhora da Assunção; é ladeado por dois colunelos finos, assentes em bases altas com toros e escócias, surgindo, nos intercolúnios, mísulas ornadas por folhagem protegidas por baldaquinos; o colunelo exterior prolonga-se sobre o nicho da Virgem, em arco canopial, com cogulhos internos e externos, sendo flanqueado por dois possantes gigantes, constituídos por amplas bases, de onde saem feixes de colunas torsas, rematando em pináculos também torsos e com florão.
A actual Sé da Guarda recua aos finais do século XIV. O último monarca da primeira dinastia não consumou a promessa de iniciar as obras de novo templo, facto que apenas aconteceu já no reinado de D. João I, por iniciativa do bispo D. Vasco de Lamego, partidário da causa de Avis nos anos da crise dinástica. As obras, contudo, haveriam de se revelar bastante lentas, sendo o edifício terminado apenas no reinado de D. João III, já em pleno século XVI. Século e meio de estaleiro activo fizeram da Sé da Guarda um dos mais interessantes monumentos tardo-góticos nacionais, em que a sucessão de opções estéticas está bem presente. Na actualidade, consideram-se dois grandes momentos artísticos da construção: um primeiro, gótico, na influência do Mosteiro da Batalha, e um segundo, já manuelino, longinquamente relacionado com a arte de Boytac.
A feição fortificada de todo o conjunto é uma das características essenciais desta catedral, de que se destaca a maciça composição tripartida da fachada principal, virada a Oeste, sendo visível um primitivo remate em empena angular, sendo rasgada por portal em arco abatido. Sobre o portal, rasgam-se duas frestas e óculo circular com moldura de cantaria saliente. A estrutura é ladeada por duas torres octogonais, com a zona inferior marcada por contrafortes laterais, dividindo-se em três registos marcados por friso, os inferiores, rasgados por frestas profundas, formando capialço e remate em arco de volta perfeita, surgindo, no segundo, janelas em arcio de volta perfeita e, no superior, quatro sineiras em arco de volta perfeita. Nas faces frontais, ostentam duas pedras de armas do bispo D. Pedro Vaz Gavião.