Archive for the ‘Arquitectura românica’ Category

O Mosteiro de Pombeiro é fundado, segundo a tradição, em 1059, apesar da mais antiga referência documental conhecida apontar para o ano de 1099.

Pombeiro é, todavia, uma das mais antigas instituições monacais do território português, estando documentada desde 853, segundo PAF, do IPPAR – Instituto Português do Património Arquitetónico. No entanto, do primitivo estabelecimento nenhum elemento material foi, até ao momento, identificado. Tratava-se, com grande probabilidade, de um edifício modesto, eventualmente vinculado à autoridade asturiana e localizado no lugar do Sobrado, medievalmente designado por Columbino.

Já as origens do atual edifício são conhecidas desde a época de D. Fernando, o Magno. Segundo Graf, em 1041, o Mosteiro sofre a transferência para a sua atual localização, sendo erguido o primeiro conjunto a partir de 1059, monumento do qual nada chegou até aos nossos dias. No entanto, é neste período condal que ocorre a já referida doação de D. Egas Gomes de Sousa e a concessão da Carta de Couto de D. Teresa.

 

A localização do Mosteiro, na interseção de duas das principais vias medievais da época – uma que ligava o Porto a Trás-os-Montes, por Amarante, e uma segunda que ligava a Beira a Guimarães e Braga, atravessando Lamego e o Douro em Porto de Rei – evidencia a significativa importância deste conjunto monástico Beneditino na região. É nestes espaços que os reis se instalam nas suas viagens e nos quais os peregrinos se albergam e recebem assistência.

Os Beneditinos, com o forte apoio dos Sousões de Ribavizela, impulsionam o arranque da construção românica, cuja datação deverá residir ao longo da segunda metade do século XII, ou nas primeiras décadas do século XIII. Rodrigues refere a existência da inscrição datada de 1199 no exterior da face sul do transepto, na qual é mencionado o suposto fundador da obra, D. Gonçalo de Sousa.

Após o término das obras na fachada principal, a frontaria recebeu uma galilé de três naves, destinada ao enterramento dos nobres de Entre-Douro-e-Minho, embora das tumulações efetuadas restem apenas dois túmulos românicos, atualmente localizados no interior do templo, e atribuídos, de acordo com Barroca, a um desconhecido nobre da família dos Lima e a D. João Afonso de Albuquerque.

Já na Idade Moderna, Pombeiro foi objeto de profundas modificações, a maioria das quais ocorridas no período Barroco. Uma das alas do claustro data de 1702, século ao longo do qual se realizaram a nova capela-mor, o coro alto, o órgão, as numerosas obras de talha dourada, as duas torres que flanqueiam a frontaria e uma parte das alas monacais.

Os claustros foram alvo de remodelação nos inícios de Oitocentos, com uma campanha neoclássica, interrompida em 1834, com a extinção das ordens religiosas.

info: http://www.rotadoromanico.com/ (adaptado)

 

A cronologia da construção românica da igreja de Santiago de Coimbra é, ainda hoje, objecto de discussão. O templo foi solenemente sagrado em 1206, mas parece certo que as obras se prolongaram para cá dessa data, como realçou Gerhard Graf a propósito dos elementos estilisticamente tardios da rosácea e de alguns capitéis das janelas da fachada principal (GRAF, 1986, vol. 1, pp.191-192).
Em termos decorativos, a igreja de Santiago constitui um exemplo fiel do Românico coimbrão na sequência da construção da Sé Velha de Coimbra. Aqui encontram-se os mesmos modelos escultóricos e temáticos que caracterizam a maior obra românica da cidade, como os animais afrontados, as aves debicantes, etc. No entanto, a forçada paralisação das obras em finais do século XII (REAL, 1986, 57) determinou a alteração do projecto original e até a substituição dos artistas.
É desta forma que a igreja de Santiago encerra, pelo menos duas fases construtivas distintas (que António Nogueira Gonçalves considerou três, vislumbrando uma campanha mais na cabeceira (GONÇALVES, republ. 1980, p.78)). O portal Sul, com as suas três arquivoltas sem decoração, sublinhadas exteriormente por uma moldura de videira, constitui um bom exemplo das opções do Românico coimbrão de finais do século XII. A composição dos capitéis aprofunda os motivos vegetalistas ensaiados anteriormente na Sé Velha, assim como a decoração dos fustes das colunas, profusamente ornamentados com motivos geométricos e florais.
Diferente é o caso do portal principal, construído em época mais tardia, e composto por quatro arquivoltas. Como acentuou Manuel Luís Real, coexistem nesta parte do edifício verdadeiras obras primas da escultura românica coimbrã e capitéis de muito menor qualidade, fruto certamente de artistas de inferior formação (REAL, 1986, p.57). Por seu lado, Gerhard Graf realçou as ligações estilísticas dos fustes das colunas deste portal com a realização das janelas da Fachada das Platerías da Catedral de Santiago de Compostela (GRAF, 1986, vol. 1, p.190). PAF

 

PAÇOS DE FERREIRA (Portugal): Igreja de São Pedro de Ferreira.

PAÇOS DE FERREIRA (Portugal): Igreja de São Pedro de Ferreira.

A actual igreja não foi começada antes dos finais do século XII. Em 1281, o mosteiro passou para a posse dos Beneditinos, que empreenderam, então, a construção que ainda hoje vemos. Apesar da datação relativamente tardia, e das proporções da sua igreja (que temos de considerar modestas), o conjunto constitui um dos nossos mais interessantes monumentos românicos, em especial pelos referentes regionais artísticos que confluíram no seu estaleiro. A marcha das obras terá sido bastante rápida, não se identificando rupturas no processo construtivo, o que poderá indicar uma situação de desafogo económico pouco comum na época.
Tipologicamente, trata-se de um templo de nave única, segmentado em quatro tramos, com capela-mor mais baixa que o corpo, dotada de duplo tramo, sendo o último semicircular. No exterior, manifesta-se, já, algum requinte construtivo, como o recurso a contrafortes nos pontos de apoio dos tirantes do telhado da nave (situação que se justifica pela sua grande altura), a utilização de bandas lombardas a todo o redor ou a disposição do portal principal, em desenvolvido e saliente gablete.

PAÇOS DE FERREIRA (Portugal): Igreja de São Pedro de Ferreira.

PAÇOS DE FERREIRA (Portugal): Igreja de São Pedro de Ferreira.

Na frontaria destaca-se o portal, aberto num muro anteposto à fachada que, ao lhe acrescentar profundidade, permite a sucessiva reentrância das cinco arquivoltas. Estas são envolvidas exteriormente por um cordão entrançado. Decoradas com lóbulos perfurados, as arquivoltas assentam em oito colunelos cujos capitéis apresentam uma decoração zoofitomórfica e geométrica. O portal revela uma tipologia singular em território nacional, mostrando afinidades com o da fachada sul da catedral de Zamora.

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PAÇOS DE FERREIRA (Portugal): Igreja de São Pedro de Ferreira.

PAÇOS DE FERREIRA (Portugal): Igreja de São Pedro de Ferreira.

Em cada fachada lateral abre-se um portal com três arquivoltas levemente quebradas, capitéis trabalhados e um tímpano liso.

Fontes:

  • Portugal – Património“, Álvaro Duarte de Almeida e Duarte Belo.
PENAFIEL (Portugal): Igreja do Salvador, matriz de Paço de Sousa.

Portal principal da Igreja do Salvador

Portal axial de arco apontado com cinco arquivoltas. O tímpano repousa sobre duas consolas figurando um bovídeo e uma cabeça humana, e possui um círculo central com inscrição, ladeado por dois outros menores, onde estão representados um atlante feminino suportando a Lua e um masculino o Sol.

Fonte:Portugal – Património“, Álvaro Duarte de Almeida e Duarte Belo.

PENAFIEL (Portugal): Igreja do Salvador, matriz de Paço de Sousa.

PENAFIEL (Portugal): Igreja do Salvador, matriz de Paço de Sousa.

O principal mosteiro medieval da bacia do rio Sousa possui uma história rica, que tem o seu início muito antes da construção do edifício que, na atualidade, subsiste. Em 956, uma primeira comunidade familiar foi aqui fundada por D. Tructesindo Galindiz e sua mulher, Animia, sobre os restos do que se pensa ter sido uma uilla romana, mas de que não se detetaram ainda vestígios materiais. Sensivelmente um século depois, o cenóbio foi objecto de grandes reformas, no contexto proto-românico que caracteriza as décadas finais do século XI na diocese de Braga. Em 1088, com a presença solene do bispo D. Pedro, o novo templo foi sagrado.
As dúvidas acerca da cronologia exata a atribuir às diferentes partes do conjunto iniciam-se com essa sagração. Sabemos que, nos inícios do século XII, o mosteiro estava já na posse dos Beneditinos que, com certeza, patrocinaram a construção do atual edifício, mas a data exata desta vasta campanha e, sobretudo, o ritmo das obras não estão, ainda, suficientemente esclarecidos. De acordo com RODRIGUES, 1995, p.244, as obras não se terão iniciado antes de 1166, e prolongaram-se extraordinariamente, avançando lentamente sobre todo o século XIII e entrando, mesmo, no XIV (ALMEIDA, 1986, p.90).

PENAFIEL (Portugal): Igreja do Salvador, matriz de Paço de Sousa.

PENAFIEL (Portugal): Igreja do Salvador, matriz de Paço de Sousa.

O conjunto sofreu alterações nos séculos XI e XIII, com a ampliação da Igreja, e posteriormente nos séculos XVIII e XX.
Na fachada da Igreja apresenta-se o belo portal gótico com cinco arquivoltas e uma célebre rosácea.
À esquerda da imagem pode ver-se a torre sineira adjacente construída durante as obras de restauro no século XX.

info: www.ippar.pt/;

www.guiadacidade.pt/

BRAGA (Portugal): Sé de Braga.

BRAGA (Portugal): Sé de Braga.

O interior da Sé mantém um longínquo carácter medieval, mercê do restauro que a DGEMN efetuou entre as décadas de 30 e 50 do século XX, que amputou grande parte da grandiosidade barroca com que os bispos dos séculos XVII e XVIII dotaram as naves, transepto e cabeceira. A capela-mor foi igualmente despojada do seu retábulo barroco, conservando ainda a abóbada de combados da autoria de João de Castilho, e encomendada pelo bispo D. Diogo de Sousa em 1509.

BRAGA (Portugal): Sé catedral.

BRAGA (Portugal): Sé catedral.

Considerada como um centro de irradiação episcopal e um dos mais importantes templos do românico português, a sua história remonta à obra do primeiro bispo, D. Pedro de Braga (1070), que concebeu um Projeto de peregrinação algo semelhante ao de Santiago de Compostela e de outras igrejas de peregrinação francesas, com três naves, transepto saliente, cabeceira e deambulatório. A edificação foi efetuada num local onde teria existido um antigo culto à deusa Ísis (divindade egípcia) muito venerada pelos romanos.
Após a morte deste prelado, e depois da destruição da catedral, no século XII, pelos adeptos de D. Teresa, o projeto inicial foi abandonado. Por indicação do arcebispo D. Paio Mendes (1118-1137), erigiu-se outro mais reduzido, de planta em cruz latina, formado por: três naves divididas em seis tramos, separados por seis arcos de volta perfeita de cada lado e sustentados por colunas; transepto; e cabeceira com dois absidíolos. As obras foram dirigidas por Nuno Paio. Deste período, são a maior parte dos elementos românicos que hoje ali se podem observar: nave central (mais alta que as laterais); portal principal, cujo tímpano foi destruído na época quinhentista, mas onde subsistem duas arquivoltas decoradas com animais fantásticos e historiadas com passos de gestas medievais, de origem borgonhesa (Canção de Roland e Romance da Raposa); portal lateral (conhecido por Porta do Sol), situado no lado Sul da Catedral, com arcos e capitéis decorados com motivos geométricos e vegetalistas, e modilhões trabalhados com figuras humanas e animalescas. O templo foi erigido segundo os cânones arquitetónicos da Ordem de Cluny, por influência dos prelados S. Geraldo e D. Maurício Burdino, a quem o conde D. Henrique e D. Teresa confiaram a obra.
Em finais de quatrocentos, inícios de quinhentos, e por ordem do arcebispo D. Jorge da Costa, foi acrescentada uma galilé gótica, apoiada por contrafortes, tendo D. Diogo de Sousa, que lhe sucedeu, completado a sua decoração. É dividida por três tramos, a que correspondem três arcos na frontaria, sendo o do centro, bastante mais largo e de volta inteira, e os outros ogivais. Existe ainda outro arco ogival que abre para o lado sul.
Ex-libris da história de Braga, a Sé reúne os estilos arquitetónicos das diversas épocas que atravessou, desde sua sagração em 1093 até hoje. O românico, o gótico (manuelino) e o barroco são os principais elementos de um mosaico estilístico que congrega fascinantes capelas (dos Reis, de S. Geraldo, da Glória) e um excecional tesouro.
Nesta catedral encontram-se os túmulos de Henrique de Borgonha e sua mulher, Teresa de Leão, os condes do Condado Portucalense, pais do rei D. Afonso Henriques.

Fontes:
http://www.guiadacidade.pt/
http://viajar.clix.pt/
http://www.lifecooler.com/
http://www.e-cultura.pt/

GUIMARÃES (Portugal): Interior da Igreja de São Miguel do Castelo.

GUIMARÃES (Portugal): Interior da Igreja de São Miguel do Castelo.

Trata-se de uma vetusta construção românica, com uma planta formada por dois rectângulos desiguais.
A fachada mostra um portal de volta perfeita e com tímpano liso; duas fiadas de cachorros decoram as cornijas.
Nas paredes abrem-se pequenas frestas de iluminação.
No interior existe uma pia baptismal, onde, segundo a tradição terá sido baptizado D. Afonso Henriques.
O pavimento lageado assenta num cemitério romano-visigótico.

e-cultura.sapo.pt/

GUIMARÃES (Portugal): Castelo de Guimarães

GUIMARÃES (Portugal): Castelo de Guimarães

A construção primitiva, possivelmente em terra e madeira, foi edificada entre 959 e 968, pela condessa Mumadona viúva do conde Hermenegildo Mendes, para proteger o seu mosteiro e a povoação local das invasões normandas. Mais tarde, o conde D. Henrique remodelou o castelo, em cuja alcáçova terá nascido D. Afonso Henriques, 1º rei de Portugal.
Da história deste castelo fazem parte vários cercos, como o efectuado pelos castelhanos no reinado de D. Fernando I, suportado vitoriosamente pelos sitiados, e durante a crise de 1385, em que demorou a rendição desta praça a D. João I.
O castelo é constituído pela imponente Torre de Menagem, que atinge 27 metros de altura, construída no tempo do primeiro monarca, e por oito torres quadrangulares que no seu conjunto rodeiam aquela torre, protegem os panos de muralha e flanqueiam as entradas. A muralha ameada apresenta uma planta aproximadamente pentagonal. Parte destas obras deverão ser do tempo de D. Fernando.

Fonte: http://www.e-cultura.pt/

FELGUEIRAS (Portugal): Igreja de Santa Maria (matriz de Airães).

FELGUEIRAS (Portugal): Igreja de Santa Maria (matriz de Airães).

O pórtico, inserido num corpo avançado em gablete, apresenta quatro arquivoltas de arestas vivas e colunelos de capitéis e bases decorados, com fustes lisos, cilíndricos os interiores e os intermédios, prismáticos os exteriores.
As colunas apresentam bases decoradas com círculos, losangos e elementos vegetalistas, complementadas com garras e máscaras, fustes redondos à exceção de um, prismático, ornamentado com máscaras e capitéis, com padrões comuns à bacia do Sousa, com decoração de inspiração vegetalista, nomeadamente cogulhos, acantos e entrançados, já de feição protogótica.

 

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