Igreja Matriz de Caminha

CAMINHA (Portugal): Igreja Matriz de Caminha.
CAMINHA (Portugal): Igreja Matriz de Caminha.

A construção da Matriz de Caminha foi imposta pela necessidade de edificar uma igreja intramuros, o que, pela exiguidade do espaço disponível, deixou muito pouco desafogo à frontaria do templo, que só viria a ser libertada no decurso das obras de restauro promovidas no presente século pelos Monumentos Nacionais. A sua fundação tem sido erradamente atribuída à iniciativa de D. Manuel I, pois está documentalmente provado que a primeira pedra deste esplêndido edifício foi lançada a 4 de Abril de 1488, quando reinava o seu antecessor e nada faria prever a sua ascensão ao trono. As obras arrastaram-se por longos anos, oneradas com pesados encargos, que nem o beneplácito régio nem os elevados subsídios concedidos pelos donatários da vila conseguiram aliviar, sendo o templo inaugurado em 1556, um ano antes da morte de D. João III.
A planta do edifício e a direcção inicial das obras atribuem-se ao mestre biscainho João Tolosa e a Pêro Galego, estando também comprovada a participação de mestres portugueses, nomeadamente através de uma gárgula antropomórfica que exibe as nádegas voltadas para terras galegas.
Obra-prima do gótico tardio nortenho, mais parece uma igreja-fortaleza, o que se deve à enraizada tradição românica desta região. No entanto, tanto o exterior como o interior deste edifício são de grande harmonia arquitectónica e rara qualidade, devidas sobretudo ao carácter equilibrado e elegante da sua composição, que com tanta mestria foi capaz de conjugar elementos de diversas influências, nomeadamente os ornamentos ditos «platerescos» e a carpintaria mudéjar.
Na fachada principal erguem-se dois elegantes gigantes rematados por pináculos floridos que demarcam as naves e emolduram o portal renascentista de elegante arco de volta perfeita. Este é enquadrado num alfiz rematado por duplo friso e sobrepujado por uma rosácea inscrita numa moldura rendilhada. Dos lados, duas estilizadas frestas valorizam o conjunto e reforçam a iluminação das naves. O edifício era coroado por uma delicada platibanda que mascarava o telhado, quase totalmente destruída pelo violento temporal ocorrido em Janeiro de 1636.
À direita da frontaria eleva-se a torre, construída entre 1550 e 1560, de secção quadrangular e acentuada feição militar, algo suavizada pelo estilizado das ameias e pelas janelas sineiras, entre as quais se observa o brasão da Casa de Vila Real, detentora do senhorio da vila de Caminha.

Fonte: Infopedia

Torre do Galo

SALAMANCA (Espanha): Exterior do zimbório românico da Catedral Velha de Salamanca, conhecido como a torre do galo.
SALAMANCA (Espanha): Exterior do zimbório românico da Catedral Velha de Salamanca, conhecido como a torre do galo.

Na zona sul do reino de Leão foi desenvolvida uma tendência regional nas catedrais de Zamora e Salamanca (velha), bem como na colegiada de Toro, observando-se uma emancipação das formas que predominavam em Leão. Existem coincidências importantes nas plantas e nas abóbadas de berço, mas sobretudo nos zimbórios, umas torres lanterna que se dispunham no nascimento das cúpulas. As três torres lanterna destas igrejas, com a sua forma característica, formam um caso excepcional no românico espanhol e só se construíram outras similares na cidade portuguesa de Évora e na Capela de São Pablo da catedral Velha de Plasência.

Arca-Relicário dos Mártires de Marrocos

COIMBRA (Portugal): Arca-Relicário dos Mártires de Marrocos Séc. XIII-XIV
COIMBRA (Portugal): Arca-Relicário dos Mártires de Marrocos Séc. XIII-XIV

Exemplo de escultura tumular, esta arca abre o capítulo da escultura gótica, constituindo o mais antigo documento iconográfico que testemunha o culto aos cinco mártires franciscanos. Foi executada para o Mosteiro de Lorvão, para acolher uma relíquia daqueles santos, concedida pelo monarca à Infanta D. Sancha.
Destinada a ser embutida em arcossólio, apresenta apenas trabalhado um lado, formando seis edículas para albergar os cinco mártires e o monarca de Marrocos.

A fotografia foi tirada em 2003, na exposição “Escultura de Coimbra: do Gótico ao Maneirismo“, no âmbito de “Coimbra – Capital Nacional da Cultura 2003“.

Actualmente, encontra-se no Museu Nacional de Machado de Castro.

Estátua de cavaleiro

COIMBRA (Portugal): Estátua de cavaleiro.
COIMBRA (Portugal): Estátua de cavaleiro.

Escultura do século XIV, em calcário, com as armas heráldicas representadas no escudo, evocando simultâneamente a função guerreira da nobreza e a identidade da respectiva linhagem.

O cavaleiro representa Domingos Joanes, sepultado na Capela dos Ferreiros, como testemunham os atributos militares – elmo, cota de malha, escudo de armas e espada, sapatos de bico e esporas – e heráldicos – escudo de azul, com aspa de prata acompanhada de quatro flores-de-lis de ouro – que ostenta. A exaltação dos valores militares integra-se num contexto funerário, associando o cavaleiro a uma dimensão religiosa, bem característica da espiritualidade medieval.

A fotografia foi tirada em 2003, na exposição “Escultura de Coimbra: do Gótico ao Maneirismo“, no âmbito de “Coimbra – Capital Nacional da Cultura 2003“.

Actualmente, encontra-se no Museu Nacional de Machado de Castro.

San Martin

SALAMANCA (Espanha): 'San Martin' (Sao Martinho).
SALAMANCA (Espanha): 'San Martin' (Sao Martinho).

A sua construção deve-se ao conde Martin Fernandez e remonta a 1103, mas sofreu grandes modificações no séc. XVIII.
Um dos seus aspectos mais notáveis na actualidade é este belo portal românico, com quatro arquivoltas decoradas. Este portal sul foi o único dos três originais romãnicos que escapou às investidas barrocas no edifício.

Paço dos condes de Barcelos

BARCELOS (Portugal): Paço dos condes de Barcelos
BARCELOS (Portugal): Paço dos condes de Barcelos

É um castelo apalaçado característico dos fins da Idade Média, construído na primeira metade do séc. XV, por D. Afonso, 8º Conde de Barcelos, 1º duque de Bragança. As suas 4 chaminés com altos canudos simbolizavam a casa mais rica de Barcelos.
Faltam às ruínas de hoje algumas partes importantes deste castelo apalaçado, tais como a torre que se prolongava sobre a entrada da ponte e 3 das 4 chaminés com canudos altos.
A sua ruína ter-se-á iniciado a partir do séc. XVIII.
Instalado neste espaço, o Museu Arqueológico de Barcelos foi criado oficialmente em 1920. Já antes desta data se utilizava a área das ruínas do Paço dos Condes para guardar peças lícitas de cariz arqueológico que eram encontradas por todo o concelho, de épocas muito distintas, fruto de achados ocasionais ou provenientes do desmantelamento de monumentos arquitectónicos. Do seu espólio destaca-se ainda o Cruzeiro do Galo, ex-libris de Barcelos.

Capitéis do portal românico da Sé de Lisboa

LISBOA (Portugal): Capitéis do portal românico da Sé.
LISBOA (Portugal): Capitéis do portal românico da Sé.

A Sé, um dos monumentos medievais mais antigos de Lisboa, data da 2ª metade do séc. XII. Construída no reinado de D. Afonso Henriques, após a tomada de Lisboa aos mouros, situava-se dentro da Cerca Moura. Durante a Idade Média a Sé funcionou como um pólo de fixação religiosa, cívica e cultural. No adro e por vezes no seu interior funcionaram as reuniões dos homens-bons da assembleia municipal. Anexa, existia a Escola da Sé, que foi frequentada por Fernando de Bulhões, futuro Santo António. O Paço Episcopal situava-se no Claustro da Sé, junto ao Beco do Quebra-Costas.
O portal românico recolhido ao fundo da galilé, mostra arquivoltas semicirculares que assentam em colunelos reentrantes, deixando ver capitéis com relevos de motivos vegetalistas, geométricos e antropomórficos.

Sé de Lisboa

LISBOA (Portugal): Sé de Lisboa
LISBOA (Portugal): Sé de Lisboa

Construída, ao que tudo indica, sobre a antiga mesquita muçulmana, o primeiro impulso edificador da Sé de Lisboa deu-se entre 1147, data da Reconquista da cidade, e os primeiros anos do século XIII, projecto em que se adoptou um esquema idêntico ao da Sé de Coimbra, com três naves, trifório sobre as naves laterais, transepto saliente e cabeceira tripartida, modelo essencialmente de raiz normanda, devido, com grande probabilidade, à origem do arquitecto Roberto.
Nos séculos seguintes, deram-se as transformações mais marcantes, com a construção da Capela de Bartolomeu Joanes, do lado Norte da entrada principal (uma capela privada de carácter funerário instituída por este importante burguês da Lisboa medieval, para si e para os seus companheiros), o claustro dionisino (obra marcante na evolução da arte gótica nacional, que apesar da sua planta irregular e localização a nascente do conjunto edificado, é uma das construções mais emblemáticas no processo de renovação arquitectónica e escultórica verificada no reinado de D. Dinis) e, especialmente, a nova cabeceira com deambulatório, mandada construir por D. Afonso IV para seu panteão familiar. Esta constitui o mais importante capítulo gótico entre Alcobaça e a Batalha e é o único deambulatório catedralício gótico nacional.

Colunelos e capitéis da Igreja matriz de Barcelos

BARCELOS (Portugal): Colunelos e capitéis da Igreja de Santa Maria Maior, matriz de Barcelos.
BARCELOS (Portugal): Colunelos e capitéis da Igreja de Santa Maria Maior, matriz de Barcelos.

Apesar do aspecto geral românico, a matriz barcelense deve inserir-se já no período gótico, como o portal principal bem o evidencia. Portal axial profundo inserido em alfiz, precedido por escadaria que se desenvolve entre os contrafortes, em arco quebrado enquadrado por cinco arquivoltas quebradas e decoradas, assentes em impostas também decoradas. São suportadas por finos colunelos, redondos e prismáticos, à excepção da exterior que repousa sobre imposta, com bases e capitéis decorados com motivos fitomórficos e zoomórficos.

Interior da Igreja Matriz de Barcelos

BARCELOS (Portugal): Igreja Matriz de Barcelos / Igreja de Santa Maria Maior
BARCELOS (Portugal): Igreja Matriz de Barcelos / Igreja de Santa Maria Maior

Todo o interior do templo foi decorado ao gosto barroco, datando dos séculos XVII e XVIII o notável conjunto de retábulos e, principalmente, o integral revestimento das paredes com azulejos azuis e brancos, importados de Lisboa e das grandes oficinas de inícios de Setecentos.